Valença-características históricas

O município de Valença está localizado na região Baixo Sul do Estado da Bahia, historicamente conhecida como “Tabuleiros de Valença”. Ligado aos primórdios da história do Brasil, Valença guarda importante herança dos povos indígenas ( aimorés e tupinambás), europeus e africanos, que se traduz em acervos imateriais e arquitetônicos, na religiosidade com forte legado católico e de matriz africana, no artesanato naval e de fibras vegetais, nas práticas agro pesqueiras de raiz extrativista, em modos de fazer culinário, terapêutico e instrumental, enfim, no legado sociocultural miscigenado caracterizador da matriz étnica brasileira.

Em tal cenário, o esta coletânea de informações  de Valença visa a nortear as pesquisas  do município, sinalizando novas perspectivas no campo da pesquisa pormenorizada  da historia local

O rico patrimônio histórico, material, imaterial, natural e humano do município requer um reconhecimento que valorizem e os leve ao desenvolvimento humano, a promoção da igualdade de oportunidades entre os grupos e indivíduos, o respeito à diversidade étnica, o aquecimento da atividade econômica, o desenvolvimento do turismo, a preservação e conservação ambiental, o fortalecimento da cultura e identidade local e a transversalidade com diversos segmentos e atores sociais.

Além de preservar o patrimônio cultural existente e remanescente, este pesquisa intenta valorizar, difundir e fomentar a Cultura para salvaguardar a identidade da população autóctone e criar um fluxo turístico através do conhecimento e divulgação da cidade .

 

CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO

 

A maior cidade da Costa do Dendê, Valença é, ao mesmo tempo, uma localidade pesqueira e colonial e um dinâmico pólo comercial e de serviços da região. Famosa por seus camarões e outros frutos do mar, se destaca por seu cais do porto, onde o casario colonial posa junto ao rio e às embarcações. Tal beleza cênica oferece aos visitantes os vestígios de um belo patrimônio histórico, que convive com o cenário de barcos pesqueiros e de transporte sobre o rio Una. Três pontes interligam as duas partes da cidade, cortadas pelo rio. A ponte principal, denominada Inocêncio Galvão de Queiroz (1890), a mais recente, denominada Luis Eduardo Magalhães (1999), e a menor, José Franco ou “Ponte da C.V.I.”, construída no final da década de 80, do sec. XX.

As belezas naturais, ao lado das arquitetônicas, de influência barroca e neoclássica européia, são admiráveis e preciosas, não apenas para a população de Valença, mas, sobretudo, para os milhares de turistas que descobriram a Costa do Dendê e têm em Valença seu portal de entrada continental. Contudo, o que pouco se sabia – e este Plano pretende mostrar – é o que a região guardava de forma quase desconhecida de boa parte das atuais gerações: a sua história.

Essa riqueza, que vem dos tempos pré-coloniais, com os estilos de vida e as aventuras guerreiras dos índios tupinambás e aimorés, é um legado valioso para que as pessoas se conheçam e se reconheçam naqueles que deram os passos inaugurais na construção da memória coletiva e na cultura impregnada nos saberes, dizeres, cantares, dançares, crenças e fazeres que tanto identificam o jeito de ser de Valença e região.

Decidida, industrial, hospitaleira. Esses três títulos que recebeu em passagens dessa história, representam seu protagonismo em episódios significativos da Bahia e do Brasil. Valença, que tanto orgulho desperta em seus filhos, pôde se tornar famosa também pela construção, na década de 80, de uma réplica da caravela Niña, da frota de Cristóvão Colombo, que foi feita especialmente para o filme “1492: A conquista do Paraíso”, de Ridley Scott.

Assim, a história que vai sendo escrita consolida a cultura de um povo mestiço, como se pode conhecer e compreender nos relatos que se seguem, advindos da bibliografia nela referendada, e das observações atentas de quem vivencia nos olhos e no sangue a presença dos índios e seus costumes do mar e da terra, dos portugueses, com seus templos e cidades, e dos negros, que aprenderam e ensinaram, como escravos fugidos, ou homens livres, o que havia aqui de trilhas e mariscos, além dos seus mistérios.

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